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terça-feira, 11 de novembro de 2014

SANTOS-O-VELHO - Período Medieval

Foi Lisboa reconquistada pelos cristãos em 1147, sob o comando de D. Afonso Henriques. Indica a tradição que este mandou edificar um novo templo no local da antiga igreja de Santos, em honra dos Mártires de Lisboa. Do templo afonsino nada resta na actualidade e não existe qualquer indicação de que tenham sido encontrados os restos mortais dos Santos nessa época.

Em 1194, D. Sancho I fez a doação do templo à ordem de Santiago e Espada, referindo “aquela nossa casa que se chama Santos, a qual meu pai, o rei D. Afonso (...) mandou edificar em honra dos Santos Mártires Veríssimo, Máxima e Júlia”. Assim ficaram os monges militares de Santiago e Espada com  casa em Lisboa, em Santos-o-Velho, desde 1194; os monges viviam em algumas casas contíguas ao templo, ou por eles ou pelo rei edificadas. Uma antiga Inquirição do século XII encontra-se referido que os freires de Santiago possuíam em Santos um mosteiro com duas vinhas. Logo se pode concluir que estes monges cavaleiros viviam em comunidade em Santos, numa residência com foros de mosteiro. Com a tomada aos mouros de Alcácer do Sal, os freires fixaram residência no seu castelo, abandonando o mosteiro de Santos.
Com a saída dos monges, começaram a instalar-se na casa de Santos senhoras viúvas e parentas de muitos deles, tendo algumas professado.
A família real mostra apreço pelas recolhidas em diversas ocasiões: em 1221, D. Afonso II deixa em testamento ao mosteiro, pertença ainda dos freires de Palmela, cem maravedis anuais, pelo seu aniversário; D. Dinis legará duzentas libras; a rainha Santa Isabel, sua esposa, lhe lega cem; a rainha D. Filipa tomou sob sua guarda o mosteiro de Santos e a Comendadeira D. Inês Pires.
 Em 1233 elegeram as senhoras então a primeira Prelada, com o título de Comendadeira, D. Helena. Muitas senhoras das classes aristocráticas ali se refugiaram ao longo dos anos, o que explica a proteção e os legados reais.
Atribui-se à 3ª Comendadeira da Ordem a descoberta dos corpos dos Santos Mártires, cuja existência e local de enterramento lhe terão sido anunciados por uma revelação divina (tradição provavelmente criada por autores do séc. XVII).

Foi junto aos muros do mosteiro de Santos que, em 1384, se instalou o acampamento das tropas de D. João I de Castela durante o cerco de Lisboa, numa casa ali armada de levante “sobre quatro traves grossas, cercada de parede de pedra sêca”. Parece que este cerco castelhano danificou alguma coisa do mosteiro, pois sabe-se que o Príncipe herdeiro D. Duarte, depois rei, cedeu temporariamente às senhoras de Santos o paço onde morava (paço de S. Martinho, depois Limoeiro), enquanto se faziam obras em Santos, ao tempo da Comendadeira D. Inês Pires.

Durante este período, o território que actualmente corresponde a Santos-o-Velho pertencia à freguesia de Nossa Senhora dos Mártires, existente pelo menos desde 1191. As Inquirições do reinado de D. Afonso II ou, mais Provavelmente de D. Afonso III, referem as igrejas de Santa Maria dos Mártires e de Santos nos arrabaldes de Lisboa. Esta disposição paroquial manteve-se até 1566, altura em que foi destacada a freguesia de Santos-o-Velho. Apesar de aparentemente Santos não ser igreja paroquial, administravam-se no entanto aí os Sacramentos, devido a encontrar-se a grande distância da matriz.

sábado, 25 de outubro de 2014

GAFARIAS DE LISBOA - Gafaria de S. Lázaro

Provavelmente anterior à fundação da nacionalidade, sem que seja possível confirmação documental deste facto, já dela existe referência em 1220 (não documentada); documento certo é o testamento de Ousenda Leonardes, datado de 1325, que contempla 20 soldos para os gafos de S. Lázaro[1]. Damião de Góis localiza, sem denominação própria, uma gafaria entre o campo de Santana e a Mouraria, perto de um campo de pastagem e da feira do gado.[2]
Ignora-se também a responsabilidade da sua fundação. Presume-se que se situava no Poio de S. Lázaro, na encosta que subia da Mouraria para o Campo do Curral (mais tarde Campo de Santana); encontrando-se no exterior da muralha de D. Fernando, é possível que tenha recebido os gafos dos Mártires, quando esta gafaria foi abrangida por aquela terceira muralha de Lisboa.[3] A localização desta gafaria é, no entanto, algo controversa, uma vez que se confunde nos documentos com a dos Mártires, desconhecendo-se se existiram ambas ou se uma deu lugar à outra.[4]
Era administrada por um provedor ou vedor, eleito entre os vereadores por um período de um ano, ao qual competia guardar as chaves da arca das escrituras e a chave da arca dos ornamentos e outros objectos de valor, supervisionar as propriedades da Casa, averiguar as razões das contendas, escolher o pessoal doméstico, avaliar e fazer assentar os bens dos enfermos, constranger os doentes que se recusassem entrar na gafaria, executar sentenças e gerir esmolas; o provedor contava com a ajuda de um escrivão, que guardava a segunda chave da arca das escrituras, supervisionando também as propriedades; existia ainda um capelão que era escolhido e pago pela cidade, tendo as funções de dizer missa três vezes por semana.[5]
Os rendimentos para o seu funcionamento provinham de propriedades doadas à gafaria e àquelas pertencentes aos gafos que nela faleciam, as quais revertiam para a Casa; sabe-se que possuía uma adega localizada junto à Portagem (perto da actual igreja da Conceição Velha);[6] segundo o regimento datado de 1460, cada morador de Lisboa e do seu termo deveria oferecer aos leprosos um real por ano, provindo assim ajuda para o respectivo sustento.[7]
Sabe-se que na Gafaria de S. Lázaro existia uma ermida ou igreja de S. Lázaro, um alpendre onde os gafos se reuniam com as pessoas de fora, um celeiro, a casa do provedor e casas para os doentes.  As casas dos gafos, mandadas construir por D. Manuel em 1503, eram térreas, medindo 12 palmos por 15 e possuíam chaminé e alpendre. Do aglomerado faziam ainda parte as casas para mancebas, exteriores à propriedade mas junto à porta; as mancebas não eram leprosas e tinham como tarefa responsabilizar-se pelas tarefas domésticas da gafaria.[8]
Continuou o funcionamento desta leprosaria até 1551, encontrando-se referenciada no Sumário: “A Ermida de são Lázaro está na Freguesia de santa justa. Há nesta ermida três confrarias, ou seja, a de são Lázaro, a de santa Marta, e a de Nossa Senhora. Valem as esmolas delas sessenta cruzados. Nesta casa se curam e mantêm os gafos.”[9] Parece ter funcionado independente até finais do século XIX.[10] Ignoro se a gafaria deu lugar ao denominado Hospital de São Lázaro ou se este último se trata de outra instituição fundada mais tardiamente, que se encontra referenciada como pertencente à freguesia de Santa Justa e como tendo sobrevivido ao grande terramoto.[11]





[1] Rita Luis Sampaio da Nóvoa, A Casa de São Lázaro de Lisboa – Contributos para uma história das atitudes face à Doença (sécs. XIV – XV), dissertação de mestrado em história medieval, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa, 2010, p. 76-77
[2] Damião de Góis, Descrição da Cidade de Lisboa, 2ª ed., Livros Horizonte, 2001, p. 44
[3] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 12
[4] Rita Luis Sampaio da Nóvoa, A Casa de São Lázaro de Lisboa – Contributos para uma história das atitudes face à Doença (sécs. XIV – XV), dissertação de mestrado em história medieval, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa, 2010, p. 79
[5] Rita Luis Sampaio da Nóvoa, A Casa de São Lázaro de Lisboa – Contributos para uma história das atitudes face à Doença (sécs. XIV – XV), dissertação de mestrado em história medieval, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa, 2010, p. 86
[6] Vieira da Silva, As Muralhas da Ribeira de Lisboa, 2ª ed., Vol. I, Câmara Municipal de Lisboa, 1940, p. 195
[7] Rita Luis Sampaio da Nóvoa, A Casa de São Lázaro de Lisboa – Contributos para uma história das atitudes face à Doença (sécs. XIV – XV), dissertação de mestrado em história medieval, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa, 2010, p. 91
[8] Rita Luis Sampaio da Nóvoa, A Casa de São Lázaro de Lisboa – Contributos para uma história das atitudes face à Doença (sécs. XIV – XV), dissertação de mestrado em história medieval, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa, 2010, p. 93
[9] Cristóvão Rodrigues de Oliveira, Lisboa em 1551 - Sumário (em que brevemente se contêm algumas coisas assim eclesiásticas como seculares que há na cidade de Lisboa), Livros Horizonte, 1987, p. 54
[10] Rita Luis Sampaio da Nóvoa, A Casa de São Lázaro de Lisboa – Contributos para uma história das atitudes face à Doença (sécs. XIV – XV), dissertação de mestrado em história medieval, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa, 2010, p. 79
[11] Paróquias da Baixa-Chiado, Memórias de Uma Cidade Destruída, Alètheia Editores, 2005, p. 165

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

GAFARIAS DE LISBOA - Gafaria da freguesia dos Mártires

       Esta gafaria localizava-se fora das muralhas, antes de ser construída a cerca fernandina, na freguesia dos Mártires, no local situado actualmente entre o Largo da Biblioteca e os Armazéns do Chiado, talvez no local da actual Rua Nova do Almada[1]; é a mais antiga leprosaria de Lisboa, pois lendariamente existiria à data da tomada da cidade, facto não confirmado por nenhum documento consultado. Administrativamente sabe-se que tinha um provedor directamente escolhido pelo rei. É possível que o Hospital de Sancha Dias lhe estivesse anexo.




[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 12

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital de Santa Iria

Situado em Santa Iria da Azóia. Foi incorporado no Hospital de Todos-os-Santos.[1]



[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 10-11

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital de Nossa Senhora, da Ameixoeira

       Sabemos apenas que estava situado junto à igreja paroquial e era gerido por uma confraria. Foi incorporado no Hospital de Todos-os-Santos.[1]


[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11

terça-feira, 1 de abril de 2014

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital de Alverca

As terras de Alverca pertenciam aos bens das capelas de D. Afonso IV. A vila esteve durante o reinado de D. Diniz, sob o domínio de um senhorio, João Afonso, tendo voltado à posse da coroa no tempo de D. Afonso IV; este monarca doa-a às capelas que instituiu junto à Sé de Lisboa em 1354,[1] dependência que durou até ao século XIX.[2]
Temos conhecimento que existiria um antigo hospital em Alverca durante o período medieval, tendo sido incorporado no Hospital de Todos-os-Santos.[3]


[1] ANTT, Núcleo Antigo, Tombo de Alverca, Livro XXIV, Parte I, Cx. 270, fls 26-29, citado por  p. Anabela Silva Ferreira, Casa da Câmara de Alverca – Conhecer a sua História, Valorizar um Património, Dissertação de Mestrado em Estudos do Património, Universidade Aberta, Lisboa, 2007, p. 41
[2] Anabela Silva Ferreira, Casa da Câmara de Alverca – Conhecer a sua História, Valorizar um Património, Dissertação de Mestrado em Estudos do Património, Universidade Aberta, Lisboa, 2007, p. 41.
[3] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital de Nossa Senhora, dos Olivais

Sabe-se apenas que foi incorporado no Hospital de Todos-os-Santos.[1]



[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital de Oeiras

Sabe-se apenas que foi incorporado no Hospital de Todos-os-Santos.[1]



[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital de Sacavém, ou de Gonçalo Vaz

               Era este hospital muito antigo, havendo referências que o reportam ao século XIII.[1] Parece ter-se localizado junto da Capela de Santo André, actualmente designada por  Capela de Nossa Senhora da Saúde e de Santo André, localizada no actual Largo Cinco de Outubro.[2] Foi incorporado no Hospital de Todos-os-Santos.[3]


[1] http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_de_Sacav%C3%A9m, consultada em 11-02-2014, citando o Atlas de Cidades Medievais Portuguesas (Séculos XII a XV). Org. de A. H. de Oliveira Marques, Iria Gonçalves e Amélia Aguiar Andrade, vol. 1, Lisboa, Centro de Estudos Históricos da Universidade Nova de Lisboa e Instituto Nacional de Investigação Científica, 1990.
[3] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital do Santo Espírito, da Sapataria

Estava localizado em Sobral de Monte Agraço, e dava assistência a doentes e peregrinos, tendo sido incorporado no Hospital de Todos-os-Santos.[1]


[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital do Santo Espírito, da Charneca

Apenas se sabe que foi incorporado no Hospital de Todos-os-Santos.[1]



[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital do Santo Espírito, de Bucelas

As confrarias do Espírito Santo tinham como objectivo, entre outros, o auxílio aos enfermos. A antiga capela do Espírito Santo integrava, em 1320, uma Colegiada e estava acompanhada por um hospital, encontrando-se ambos dentro do perímetro de um adro, localizado na área ocupada pela estrada nacional e um parque de estacionamento, junto ao edifício actualmente ocupado pela Junta de Freguesia de Bucelas. A capela funcionou como igreja matriz até 1520, altura em que foi substituída pela Igreja de Nossa Senhora da Purificação; a colegiada foi extinta em 1848.[1] Na actual igreja matriz existe um grupo escultórico do séc. XV, que foi o frontão da capela do antigo hospital, representando a Santíssima Trindade.[2] O hospital foi incorporado no Hospital de Todos-os-Santos.[3]


[1] Carla Varela Fernandes, O (des)conhecido retábulo da antiga capela do Espírito Santo de Bucelas, Arqueologia & História, p. 165, em http://www.academia.edu/3721263/O_des_conhecido_retabulo_da_antiga_capela_do_Espirito_Santo_de_Bucelas?login=cristinamoisao@gmail.com&email_was_taken=true, consultado em 23-12-2013
[3] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital do Santo Espírito, do Lumiar

Sobre este hospital sabe-se apenas que estava localizado junto ao adro da igreja paroquial e era possuidor de muitos bens. Foi incorporado no Hospital de Todos-os-Santos.[1]


[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital do Espírito Santo, de Benfica

Este hospital encontrava-se localizado junto à Igreja paroquial, tendo sido incorporado no Hospital de Todos-os-Santos.[1] A antiga igreja paroquial erguia-se no lugar do Tojal, a poente e norte da actual igreja de Nossa Senhora do Amparo, dela existindo referências datadas do século XIV.[2]



[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11
[2] http://www.paroquia-benfica.pt/

terça-feira, 3 de setembro de 2013

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital dos Cordoeiros ou Hospitalinho dos Cordoeiros

Existe uma certa confusão em redor da história deste hospital. Gustavo de Matos Sequeira afirma que a Confraria dos Cordoeiros administrou durante um período o Hospital do Convento da Trindade.[1] Por outro lado, existiu em Lisboa o Hospitalinho, situado na mesma zona e gerido pelos Irmãos da Mesa da Irmandade de Santo António dos Nobres, e aparentemente localizado na Rua do Ferragial.[2] O mesmo Matos Sequeira localiza o Hospitalinho dos Cordoeiros na Azinhaga de Gil Vicente (cordoeiro), no actual Chiado, correspondendo à entrada do antigo Hotel Borges.[3]
Persiste portanto a dúvida se seria uma única instituição com designações diversas ou se existiriam dois hospitais nesta área da cidade.





[1] Gustavo de Matos Sequeira, O Carmo e a Trindade, subsídios para a história de Lisboa, vol. 1, Câmara Municipal de Lisboa, 1939, p. 52
[2] Paróquias da Baixa-Chiado, Memórias de Uma Cidade Destruída, Alètheia Editores, 2005, p. 86
[3] Gustavo de Matos Sequeira, O Carmo e a Trindade, subsídios para a história de Lisboa, vol. 1, Câmara Municipal de Lisboa, 1939, p. 230-231

sábado, 17 de agosto de 2013

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital dos Tanoeiros

Pouco se conhece este hospital, apenas que se localizava na Rua do Poço do Chão, entre as actuais Rua do Ouro, Rua dos Sapateiros e Rua da Vitória, na freguesia de São Nicolau.[1]




[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 12

quarta-feira, 17 de abril de 2013

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital dos Pescadores linheiros


Um dos autores consultados situa este hospital em Alfama, freguesia de Santo Estevão, às Portas da Cruz, no cruzamento da Rua do Paraiso com as Portas da Cruz.[1] Sabemos que teria três camas, sendo sustentado pelos pescadores linheiros apenas em camas e casa.[2]
O projecto designado por Marcas das Ciências e das Técnicas pelas Ruas de Lisboa, da autoria da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, refere-se a esta instituição como sendo o “Hospital dos Pescadores, Linheiros, Tecelões e Tanoeiros”.[3] Do nosso ponto de vista, esta designação carece de rigor, uma vez que encontrámos outros hospitais de pescadores em Lisboa (Cata-que-farás, Nossa Senhora dos Remédios), um hospital de Tecelões localizado na Rua da Manga Lassa e um hospital de Tanoeiros situado no Poço do Chão.
Consideramos, no entanto, como certa a sua localização na Rua do Paraíso, na Freguesia de S. Vicente de Fora,[4] correspondendo ao actual nº 55; na verdade, este edifício conserva ainda sobre a porta uma placa ostentando um “S” invertido; este símbolo é de difícil interpretação, mas encontramos uma simbologia semelhante referida ao Hospital de Todos-os-Santos;[5] a simbologia poderia, assim, identificar o edifício como anexo ao Hospital de Todos-os-Santos, pelo que, embora sem provas documentais, possibilita a relação com o edifício hospitalar pertencente à confraria dos pescadores linheiros referenciado por Fernando da Silva Correia.

R. do Paraíso nº 55

Placa indicativa de edifício pertencente ao Hospital Real de Todos-os-Santos (?)



[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11
[2] Cristóvão Rodrigues de Oliveira, Lisboa em 1551 - Sumário (em que brevemente se contêm algumas coisas assim eclesiásticas como seculares que há na cidade de Lisboa), Livros Horizonte, 1987, p. 63
[3] http://marcasdasciencias.fc.ul.pt/pagina/fichas/objectos/dominio?por=60&i=60
[4] http://marcasdasciencias.fc.ul.pt/pagina/fichas/objectos/freguesia?id=1618
[5] Augusto da Silva Carvalho, Crónica do Hospital de Todos-os-Santos - 1949, Edição do V Centenário da Fundação do Hospital Real de Todos-os-Santos, Lisboa, 1992, capa

Aniversário do Blog "Histórias de Lisboa Antiga"!

O Blog faz um ano !
O blog Histórias de Lisboa Antiga foi iniciado em 14 de Abril de 2012. Conseguiu chegar a um total de 4093 visualizações de páginas.
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Grécia (Greece) - 26
Ucrânia (Ukraine) - 19

Considerando que está escrito em Português e que os assuntos tratados estão ainda num campo restrito de investigação, é com grande satisfação que observo a disseminação verificada.
Na procura de melhoria, pretende-se adicionar, para além da diversificação de temas, a tradução dos textos para Inglês e Francês.
O ponto negativo encontrado foi a ausência de comentários aos textos publicados. Pretende-se que o blog seja um local de troca de informação e opinião; resta-me pois apelar para que todos participem!

Obrigada!

sábado, 6 de abril de 2013

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital de Nossa Senhora dos Remédios e de Santo Estevão


Existem algumas discrepâncias em relação a este hospital, pertencente aos pescadores “chrischeyros” e situado na Alfama; enquanto um autor o situa na freguesia de S. Miguel,[1] o Sumário referencia-o na freguesia de Santo Estêvão, com uma ermida associada onde se dizia missa, designada por ermida de Nossa Senhora dos Remédios, referindo que tinha onze camas para mulheres pobres, as quais os chincheiros sustentavam apenas de camas e casa.[2] É certo que as duas freguesias são vizinhas e a actual Ermida de Nossa Senhora dos Remédios se localiza em Santo Estevão; no entanto, esta ermida, estando associada a um hospital de pescadores, foi construída em 1517, o que nos põe em dúvida se existiria previamente um hospital com outra localização, embora próxima.
A devoção de Nossa Senhora dos Remédios liga-se a uma lenda, segundo a qual um pescador de Alfama teria encontrado dentro de um poço uma imagem de Nossa Senhora, sendo que a água proveniente desse poço tinha propriedades curativas. Dedicada ao Espírito Santo, a ermida foi construída junto ao poço, associando-se ainda a construção de um hospital, a mando da confraria de S. Pedro Telmo, constituída por pescadores. O hospital terá funcionado até 1755, altura em que o grande terramoto o deixou muito danificado, não tendo sido reconstruído; a capela, também conhecida por ermida do Espírito Santo, foi reedificada pela confraria, sendo possível actualmente apreciar o seu magnífico portal manuelino polilobado, classificado como monumento nacional.[3]

Portal da Capela de Nossa Senhora dos Remédios na Rua dos Remédios

[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11
[2] Cristóvão Rodrigues de Oliveira, Lisboa em 1551 - Sumário (em que brevemente se contêm algumas coisas assim eclesiásticas como seculares que há na cidade de Lisboa), Livros Horizonte, 1987, p. 63
[3] http://www.igespar.pt/en/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/70628/

quinta-feira, 4 de abril de 2013

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital de São Vicente dos Romeiros ou S. Vicente dos Meninos


Muito pouco se sabe desta instituição situada na freguesia da Sé, junto à Porta do Ferro e que foi incorporada no Hospital de Todos-os-Santos.[1]
A Porta do Ferro, também designada por Porta do Ocidente (Bab al-Garb) ou Porta Maior (Bab al-Kabir), pertencia à Cerca Moura, situando-se no local onde hoje é o Largo de Santo António da Sé; era, ao tempo árabe, a principal entrada da Medina, tendo tomado mais tarde o nome de Arco de Nossa Senhora da Consolação, que foi destruído no terramoto de 1755.[2]


[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11
[2] Gabinete de Estudos Olisiponenses, A Cerca de Al-Usbuna, em http://geo.cm-lisboa.pt/fileadmin/GEO/Imagens/GEO/Cerca_Moura_site/Cerca_moura_visita.pdf