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terça-feira, 11 de novembro de 2014

SANTOS-O-VELHO - Período Medieval

Foi Lisboa reconquistada pelos cristãos em 1147, sob o comando de D. Afonso Henriques. Indica a tradição que este mandou edificar um novo templo no local da antiga igreja de Santos, em honra dos Mártires de Lisboa. Do templo afonsino nada resta na actualidade e não existe qualquer indicação de que tenham sido encontrados os restos mortais dos Santos nessa época.

Em 1194, D. Sancho I fez a doação do templo à ordem de Santiago e Espada, referindo “aquela nossa casa que se chama Santos, a qual meu pai, o rei D. Afonso (...) mandou edificar em honra dos Santos Mártires Veríssimo, Máxima e Júlia”. Assim ficaram os monges militares de Santiago e Espada com  casa em Lisboa, em Santos-o-Velho, desde 1194; os monges viviam em algumas casas contíguas ao templo, ou por eles ou pelo rei edificadas. Uma antiga Inquirição do século XII encontra-se referido que os freires de Santiago possuíam em Santos um mosteiro com duas vinhas. Logo se pode concluir que estes monges cavaleiros viviam em comunidade em Santos, numa residência com foros de mosteiro. Com a tomada aos mouros de Alcácer do Sal, os freires fixaram residência no seu castelo, abandonando o mosteiro de Santos.
Com a saída dos monges, começaram a instalar-se na casa de Santos senhoras viúvas e parentas de muitos deles, tendo algumas professado.
A família real mostra apreço pelas recolhidas em diversas ocasiões: em 1221, D. Afonso II deixa em testamento ao mosteiro, pertença ainda dos freires de Palmela, cem maravedis anuais, pelo seu aniversário; D. Dinis legará duzentas libras; a rainha Santa Isabel, sua esposa, lhe lega cem; a rainha D. Filipa tomou sob sua guarda o mosteiro de Santos e a Comendadeira D. Inês Pires.
 Em 1233 elegeram as senhoras então a primeira Prelada, com o título de Comendadeira, D. Helena. Muitas senhoras das classes aristocráticas ali se refugiaram ao longo dos anos, o que explica a proteção e os legados reais.
Atribui-se à 3ª Comendadeira da Ordem a descoberta dos corpos dos Santos Mártires, cuja existência e local de enterramento lhe terão sido anunciados por uma revelação divina (tradição provavelmente criada por autores do séc. XVII).

Foi junto aos muros do mosteiro de Santos que, em 1384, se instalou o acampamento das tropas de D. João I de Castela durante o cerco de Lisboa, numa casa ali armada de levante “sobre quatro traves grossas, cercada de parede de pedra sêca”. Parece que este cerco castelhano danificou alguma coisa do mosteiro, pois sabe-se que o Príncipe herdeiro D. Duarte, depois rei, cedeu temporariamente às senhoras de Santos o paço onde morava (paço de S. Martinho, depois Limoeiro), enquanto se faziam obras em Santos, ao tempo da Comendadeira D. Inês Pires.

Durante este período, o território que actualmente corresponde a Santos-o-Velho pertencia à freguesia de Nossa Senhora dos Mártires, existente pelo menos desde 1191. As Inquirições do reinado de D. Afonso II ou, mais Provavelmente de D. Afonso III, referem as igrejas de Santa Maria dos Mártires e de Santos nos arrabaldes de Lisboa. Esta disposição paroquial manteve-se até 1566, altura em que foi destacada a freguesia de Santos-o-Velho. Apesar de aparentemente Santos não ser igreja paroquial, administravam-se no entanto aí os Sacramentos, devido a encontrar-se a grande distância da matriz.

sábado, 25 de outubro de 2014

GAFARIAS DE LISBOA - Gafaria de S. Lázaro

Provavelmente anterior à fundação da nacionalidade, sem que seja possível confirmação documental deste facto, já dela existe referência em 1220 (não documentada); documento certo é o testamento de Ousenda Leonardes, datado de 1325, que contempla 20 soldos para os gafos de S. Lázaro[1]. Damião de Góis localiza, sem denominação própria, uma gafaria entre o campo de Santana e a Mouraria, perto de um campo de pastagem e da feira do gado.[2]
Ignora-se também a responsabilidade da sua fundação. Presume-se que se situava no Poio de S. Lázaro, na encosta que subia da Mouraria para o Campo do Curral (mais tarde Campo de Santana); encontrando-se no exterior da muralha de D. Fernando, é possível que tenha recebido os gafos dos Mártires, quando esta gafaria foi abrangida por aquela terceira muralha de Lisboa.[3] A localização desta gafaria é, no entanto, algo controversa, uma vez que se confunde nos documentos com a dos Mártires, desconhecendo-se se existiram ambas ou se uma deu lugar à outra.[4]
Era administrada por um provedor ou vedor, eleito entre os vereadores por um período de um ano, ao qual competia guardar as chaves da arca das escrituras e a chave da arca dos ornamentos e outros objectos de valor, supervisionar as propriedades da Casa, averiguar as razões das contendas, escolher o pessoal doméstico, avaliar e fazer assentar os bens dos enfermos, constranger os doentes que se recusassem entrar na gafaria, executar sentenças e gerir esmolas; o provedor contava com a ajuda de um escrivão, que guardava a segunda chave da arca das escrituras, supervisionando também as propriedades; existia ainda um capelão que era escolhido e pago pela cidade, tendo as funções de dizer missa três vezes por semana.[5]
Os rendimentos para o seu funcionamento provinham de propriedades doadas à gafaria e àquelas pertencentes aos gafos que nela faleciam, as quais revertiam para a Casa; sabe-se que possuía uma adega localizada junto à Portagem (perto da actual igreja da Conceição Velha);[6] segundo o regimento datado de 1460, cada morador de Lisboa e do seu termo deveria oferecer aos leprosos um real por ano, provindo assim ajuda para o respectivo sustento.[7]
Sabe-se que na Gafaria de S. Lázaro existia uma ermida ou igreja de S. Lázaro, um alpendre onde os gafos se reuniam com as pessoas de fora, um celeiro, a casa do provedor e casas para os doentes.  As casas dos gafos, mandadas construir por D. Manuel em 1503, eram térreas, medindo 12 palmos por 15 e possuíam chaminé e alpendre. Do aglomerado faziam ainda parte as casas para mancebas, exteriores à propriedade mas junto à porta; as mancebas não eram leprosas e tinham como tarefa responsabilizar-se pelas tarefas domésticas da gafaria.[8]
Continuou o funcionamento desta leprosaria até 1551, encontrando-se referenciada no Sumário: “A Ermida de são Lázaro está na Freguesia de santa justa. Há nesta ermida três confrarias, ou seja, a de são Lázaro, a de santa Marta, e a de Nossa Senhora. Valem as esmolas delas sessenta cruzados. Nesta casa se curam e mantêm os gafos.”[9] Parece ter funcionado independente até finais do século XIX.[10] Ignoro se a gafaria deu lugar ao denominado Hospital de São Lázaro ou se este último se trata de outra instituição fundada mais tardiamente, que se encontra referenciada como pertencente à freguesia de Santa Justa e como tendo sobrevivido ao grande terramoto.[11]





[1] Rita Luis Sampaio da Nóvoa, A Casa de São Lázaro de Lisboa – Contributos para uma história das atitudes face à Doença (sécs. XIV – XV), dissertação de mestrado em história medieval, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa, 2010, p. 76-77
[2] Damião de Góis, Descrição da Cidade de Lisboa, 2ª ed., Livros Horizonte, 2001, p. 44
[3] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 12
[4] Rita Luis Sampaio da Nóvoa, A Casa de São Lázaro de Lisboa – Contributos para uma história das atitudes face à Doença (sécs. XIV – XV), dissertação de mestrado em história medieval, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa, 2010, p. 79
[5] Rita Luis Sampaio da Nóvoa, A Casa de São Lázaro de Lisboa – Contributos para uma história das atitudes face à Doença (sécs. XIV – XV), dissertação de mestrado em história medieval, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa, 2010, p. 86
[6] Vieira da Silva, As Muralhas da Ribeira de Lisboa, 2ª ed., Vol. I, Câmara Municipal de Lisboa, 1940, p. 195
[7] Rita Luis Sampaio da Nóvoa, A Casa de São Lázaro de Lisboa – Contributos para uma história das atitudes face à Doença (sécs. XIV – XV), dissertação de mestrado em história medieval, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa, 2010, p. 91
[8] Rita Luis Sampaio da Nóvoa, A Casa de São Lázaro de Lisboa – Contributos para uma história das atitudes face à Doença (sécs. XIV – XV), dissertação de mestrado em história medieval, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa, 2010, p. 93
[9] Cristóvão Rodrigues de Oliveira, Lisboa em 1551 - Sumário (em que brevemente se contêm algumas coisas assim eclesiásticas como seculares que há na cidade de Lisboa), Livros Horizonte, 1987, p. 54
[10] Rita Luis Sampaio da Nóvoa, A Casa de São Lázaro de Lisboa – Contributos para uma história das atitudes face à Doença (sécs. XIV – XV), dissertação de mestrado em história medieval, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa, 2010, p. 79
[11] Paróquias da Baixa-Chiado, Memórias de Uma Cidade Destruída, Alètheia Editores, 2005, p. 165

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

GAFARIAS DE LISBOA - Gafaria da freguesia dos Mártires

       Esta gafaria localizava-se fora das muralhas, antes de ser construída a cerca fernandina, na freguesia dos Mártires, no local situado actualmente entre o Largo da Biblioteca e os Armazéns do Chiado, talvez no local da actual Rua Nova do Almada[1]; é a mais antiga leprosaria de Lisboa, pois lendariamente existiria à data da tomada da cidade, facto não confirmado por nenhum documento consultado. Administrativamente sabe-se que tinha um provedor directamente escolhido pelo rei. É possível que o Hospital de Sancha Dias lhe estivesse anexo.




[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 12

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital de Santa Iria

Situado em Santa Iria da Azóia. Foi incorporado no Hospital de Todos-os-Santos.[1]



[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 10-11

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital de Nossa Senhora, da Ameixoeira

       Sabemos apenas que estava situado junto à igreja paroquial e era gerido por uma confraria. Foi incorporado no Hospital de Todos-os-Santos.[1]


[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11

terça-feira, 1 de abril de 2014

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital de Alverca

As terras de Alverca pertenciam aos bens das capelas de D. Afonso IV. A vila esteve durante o reinado de D. Diniz, sob o domínio de um senhorio, João Afonso, tendo voltado à posse da coroa no tempo de D. Afonso IV; este monarca doa-a às capelas que instituiu junto à Sé de Lisboa em 1354,[1] dependência que durou até ao século XIX.[2]
Temos conhecimento que existiria um antigo hospital em Alverca durante o período medieval, tendo sido incorporado no Hospital de Todos-os-Santos.[3]


[1] ANTT, Núcleo Antigo, Tombo de Alverca, Livro XXIV, Parte I, Cx. 270, fls 26-29, citado por  p. Anabela Silva Ferreira, Casa da Câmara de Alverca – Conhecer a sua História, Valorizar um Património, Dissertação de Mestrado em Estudos do Património, Universidade Aberta, Lisboa, 2007, p. 41
[2] Anabela Silva Ferreira, Casa da Câmara de Alverca – Conhecer a sua História, Valorizar um Património, Dissertação de Mestrado em Estudos do Património, Universidade Aberta, Lisboa, 2007, p. 41.
[3] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital de Nossa Senhora, dos Olivais

Sabe-se apenas que foi incorporado no Hospital de Todos-os-Santos.[1]



[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11