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terça-feira, 12 de junho de 2012

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital de Nossa Senhora de Belém ou dos Palmeiros e Albergaria dos Palmeiros


Fundado antes de 1292 por peregrinos ingleses, situava-se ao sul da igreja da Madalena, na rua do Hospital dos Palmeiros. A Albergaria era anexa ao hospital.[1] Destinava-se a acolher peregrinos que vinham de Jerusalém, aos quais chamavam palmeiros por trazerem palmas bordadas nas suas capas. O hospital tinha associada uma ermida de invocação de Nossa Senhora de Belém; sobre a porta existia um letreiro que assim dizia: “Este Hospital he dos pobres Palmeyros, e Peregrinos e resgatados delle e de outro Hospital de Cacilhas perto d’Almada; os honrados confrades desta cidade de Lisboa na era de 1330[2], sendo a data referenciada à era de César.
É provável que a sua administração tenha sofrido algumas modificações ao longo dos muitos anos do seu funcionamento, tendo o hospital sido administrado por uma confraria de vinte cidadãos – confraria de Nossa Senhora – segundo Cristóvão Rodrigues de Oliveira (em 1551), ou por vinte e cinco Irmãos dos principais cidadãos desta cidade de Lisboa, que elegiam entre si um provedor e um escrivão que cobravam os foros, segundo o registo do padre José Azevedo Álvaro (após o terramoto de 1755). Havia neste hospital uma hospitaleira, cuja função era de limpar e concertar a casa, e agasalhar os peregrinos.[3] A sua existência está confirmada em 1400, dado que é referenciado no testamento de Catarina Lopes; aí residia na altura Afonso Anes.[4]
Ainda existe a funcionar em 1551, segundo Cristóvão Rodrigues de Oliveira, tendo nesta data renda de oitenta cruzados. Sabe-se também que, por ordem de D. João V, sendo procurador da Coroa o Desembargador João Alves da Costa, foi a sua administração entregue à Congregação do Senhor Jesus dos Perdões, sediada na paróquia de Santa Maria Madalena.[5]  Foi destinado, por alvará régio de 21 de Junho de 1628, a recolhimento de meninos perdidos.[6]
À data do grande terramoto tinha o hospital de renda 86.716 reis, em foros e alugueres de casas; após o desastre e o grande incêndio subsequente, muitas das suas casas se lhe queimaram, ficando apenas com 19.414 reais em foros.[7] Localizado, por altura do terramoto de 1755, na parte ocidental do quarteirão compreendido entre o beco do Cura e a Rua de D. Mafalda (cruzamento das actuais ruas de S. Julião e da Madalena) , temos conhecimento que terá ardido,[8] mas não é possível concluir, pela descrição paroquial ao tempo do terramoto, se o hospital sobreviveu funcionando ou se se extinguiu, como tantas outras coisas na cidade de Lisboa. Certo é que funcionou durante cerca de quinhentos anos, prestando o seu serviço à cidade.


[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11 e 12
[2] Paróquias da Baixa-Chiado, Memórias de Uma Cidade Destruída, Alètheia Editores, 2005, p. 117. Vieira da Silva, As Muralhas da Ribeira de Lisboa, 2ª ed., Vol. I, Câmara Municipal de Lisboa, 1940, p. 163-164
[3] Cristóvão Rodrigues de Oliveira, Lisboa em 1551 - Sumário (em que brevemente se contêm algumas coisas assim eclesiásticas como seculares que há na cidade de Lisboa), Livros Horizonte, 1987, p. 62
[4] Luiz de Macedo, A Rua das Pedras Negras, Lisboa, Edição da UP, 1931, p.24
[5] Paróquias da Baixa-Chiado, Memórias de Uma Cidade Destruída, Alètheia Editores, 2005, p. 112
[6] Júlio de Castilho, Lisboa Antiga – Segunda Parte – Bairros Orientais, 2ª ed., vol. IX, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1937, p. 190
[7] Paróquias da Baixa-Chiado, Memórias de Uma Cidade Destruída, Alètheia Editores, 2005, p. 118
[8] Paróquias da Baixa-Chiado, Memórias de Uma Cidade Destruída, Alètheia Editores, 2005, p. 162

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