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sábado, 17 de agosto de 2013

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital dos Tanoeiros

Pouco se conhece este hospital, apenas que se localizava na Rua do Poço do Chão, entre as actuais Rua do Ouro, Rua dos Sapateiros e Rua da Vitória, na freguesia de São Nicolau.[1]




[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 12

quarta-feira, 17 de abril de 2013

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital dos Pescadores linheiros


Um dos autores consultados situa este hospital em Alfama, freguesia de Santo Estevão, às Portas da Cruz, no cruzamento da Rua do Paraiso com as Portas da Cruz.[1] Sabemos que teria três camas, sendo sustentado pelos pescadores linheiros apenas em camas e casa.[2]
O projecto designado por Marcas das Ciências e das Técnicas pelas Ruas de Lisboa, da autoria da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, refere-se a esta instituição como sendo o “Hospital dos Pescadores, Linheiros, Tecelões e Tanoeiros”.[3] Do nosso ponto de vista, esta designação carece de rigor, uma vez que encontrámos outros hospitais de pescadores em Lisboa (Cata-que-farás, Nossa Senhora dos Remédios), um hospital de Tecelões localizado na Rua da Manga Lassa e um hospital de Tanoeiros situado no Poço do Chão.
Consideramos, no entanto, como certa a sua localização na Rua do Paraíso, na Freguesia de S. Vicente de Fora,[4] correspondendo ao actual nº 55; na verdade, este edifício conserva ainda sobre a porta uma placa ostentando um “S” invertido; este símbolo é de difícil interpretação, mas encontramos uma simbologia semelhante referida ao Hospital de Todos-os-Santos;[5] a simbologia poderia, assim, identificar o edifício como anexo ao Hospital de Todos-os-Santos, pelo que, embora sem provas documentais, possibilita a relação com o edifício hospitalar pertencente à confraria dos pescadores linheiros referenciado por Fernando da Silva Correia.

R. do Paraíso nº 55

Placa indicativa de edifício pertencente ao Hospital Real de Todos-os-Santos (?)



[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11
[2] Cristóvão Rodrigues de Oliveira, Lisboa em 1551 - Sumário (em que brevemente se contêm algumas coisas assim eclesiásticas como seculares que há na cidade de Lisboa), Livros Horizonte, 1987, p. 63
[3] http://marcasdasciencias.fc.ul.pt/pagina/fichas/objectos/dominio?por=60&i=60
[4] http://marcasdasciencias.fc.ul.pt/pagina/fichas/objectos/freguesia?id=1618
[5] Augusto da Silva Carvalho, Crónica do Hospital de Todos-os-Santos - 1949, Edição do V Centenário da Fundação do Hospital Real de Todos-os-Santos, Lisboa, 1992, capa

Aniversário do Blog "Histórias de Lisboa Antiga"!

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Considerando que está escrito em Português e que os assuntos tratados estão ainda num campo restrito de investigação, é com grande satisfação que observo a disseminação verificada.
Na procura de melhoria, pretende-se adicionar, para além da diversificação de temas, a tradução dos textos para Inglês e Francês.
O ponto negativo encontrado foi a ausência de comentários aos textos publicados. Pretende-se que o blog seja um local de troca de informação e opinião; resta-me pois apelar para que todos participem!

Obrigada!

sábado, 6 de abril de 2013

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital de Nossa Senhora dos Remédios e de Santo Estevão


Existem algumas discrepâncias em relação a este hospital, pertencente aos pescadores “chrischeyros” e situado na Alfama; enquanto um autor o situa na freguesia de S. Miguel,[1] o Sumário referencia-o na freguesia de Santo Estêvão, com uma ermida associada onde se dizia missa, designada por ermida de Nossa Senhora dos Remédios, referindo que tinha onze camas para mulheres pobres, as quais os chincheiros sustentavam apenas de camas e casa.[2] É certo que as duas freguesias são vizinhas e a actual Ermida de Nossa Senhora dos Remédios se localiza em Santo Estevão; no entanto, esta ermida, estando associada a um hospital de pescadores, foi construída em 1517, o que nos põe em dúvida se existiria previamente um hospital com outra localização, embora próxima.
A devoção de Nossa Senhora dos Remédios liga-se a uma lenda, segundo a qual um pescador de Alfama teria encontrado dentro de um poço uma imagem de Nossa Senhora, sendo que a água proveniente desse poço tinha propriedades curativas. Dedicada ao Espírito Santo, a ermida foi construída junto ao poço, associando-se ainda a construção de um hospital, a mando da confraria de S. Pedro Telmo, constituída por pescadores. O hospital terá funcionado até 1755, altura em que o grande terramoto o deixou muito danificado, não tendo sido reconstruído; a capela, também conhecida por ermida do Espírito Santo, foi reedificada pela confraria, sendo possível actualmente apreciar o seu magnífico portal manuelino polilobado, classificado como monumento nacional.[3]

Portal da Capela de Nossa Senhora dos Remédios na Rua dos Remédios

[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11
[2] Cristóvão Rodrigues de Oliveira, Lisboa em 1551 - Sumário (em que brevemente se contêm algumas coisas assim eclesiásticas como seculares que há na cidade de Lisboa), Livros Horizonte, 1987, p. 63
[3] http://www.igespar.pt/en/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/70628/

quinta-feira, 4 de abril de 2013

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital de São Vicente dos Romeiros ou S. Vicente dos Meninos


Muito pouco se sabe desta instituição situada na freguesia da Sé, junto à Porta do Ferro e que foi incorporada no Hospital de Todos-os-Santos.[1]
A Porta do Ferro, também designada por Porta do Ocidente (Bab al-Garb) ou Porta Maior (Bab al-Kabir), pertencia à Cerca Moura, situando-se no local onde hoje é o Largo de Santo António da Sé; era, ao tempo árabe, a principal entrada da Medina, tendo tomado mais tarde o nome de Arco de Nossa Senhora da Consolação, que foi destruído no terramoto de 1755.[2]


[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11
[2] Gabinete de Estudos Olisiponenses, A Cerca de Al-Usbuna, em http://geo.cm-lisboa.pt/fileadmin/GEO/Imagens/GEO/Cerca_Moura_site/Cerca_moura_visita.pdf

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital dos Tecelões


Sabemos apenas que este hospital se encontrava localizado na Rua da Mangalaça ou Rua de Manga Lassa, freguesia de Santa Justa. Foi incorporado no Hospital de Todos-os-Santos.[1] A Rua de Manga Lassa é registada por Cristóvão Rodrigues de Oliveira,[2] mas não se encontram indicações da sua localização precisa na freguesia.


[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11
[2] Cristóvão Rodrigues de Oliveira, Lisboa em 1551 - Sumário (em que brevemente se contêm algumas coisas assim eclesiásticas como seculares que há na cidade de Lisboa), Livros Horizonte, 1987, p. 20

quinta-feira, 28 de março de 2013

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital de Nossa Senhora das Virtudes ou da Vitória


Estava localizado ao Poço do Chão (aproximadamente na actual Rua do Ouro), destinava-se a incuráveis.[1] Não conseguimos apurar a data da sua fundação ou a duração do seu funcionamento.
Referenciado como tendo sido incorporado no Hospital de Todos-os-Santos[2], encontramo-lo ainda referido no Sumário de 1551: “ O Hospital de Nossa senhora da Vitória é antigo. Há sempre nele enfermos incuráveis, tem duas enfermarias, uma por baixo, e outra por cima, com catorze leitos. E em cada uma há um altar, onde todos os dias se diz missa de devotos. E aos domingos lha vem dizer do Hospital de Todos os Santos, donde são providos de todo o necessário, o que valerá cento e cinquenta cruzados. Há neste hospital uma confraria da invocação de Nossa senhora da Vitória. Os mordomos e confrades dela mandam nos navios peditórios e os tem pelo reino e arquetas da cidade. O que valerá quinhentos cruzados.” O mesmo autor, faz referência à sua antiga designação como Hospital de Nossa Senhora das Virtudes.[3]






Em 1552 existe uma outra referência: “No Poço do Chão, onde se chama Nossa Senhora da Vitória, tem outro hospital, onde tem oito leitos, onde tem hospitaleiro que tem cargo disso, aonde passam os enfermos desamparados que têm enfermidades incuráveis. A estes dá (o Hospital de Todos-os-Santos) todos os dias doze rs para seu sustentamento, e camas em que dormem. E no sobrado estão outros tantos leitos para mulheres, os quais provêm da mesma maneira; e tem missa os dias santos e domingos.”[4]
Desta última descrição poderemos concluir que, apesar de incorporado administrativamente no Hospital de Todos-os-Santos, a instituição continuava a funcionar com autonomia, separada fisicamente e com proventos próprios independentes da casa-mãe.


[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11
[2] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11
[3] Cristóvão Rodrigues de Oliveira, Lisboa em 1551 - Sumário (em que brevemente se contêm algumas coisas assim eclesiásticas como seculares que há na cidade de Lisboa), Livros Horizonte, 1987, p. 61-62
[4] João Brandão (de Buarcos), Grandeza e abastança de Lisboa em 1552, Livros Horizonte, 1990, p. 126-127