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sexta-feira, 25 de maio de 2012

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital do Santo Espírito ou do Espírito Santo da Pedreira ou Capela de Dom Adão


Situava-se no local da Pedreira de Lisboa (actualmente Rua Nova do Almada), tendo 10 camas para 10 merceeiras.[1]
Sabe-se que a casa do Santo Espírito já existia em 1279,[2] desconhecendo-se se o hospital seria da mesma época; certa é a sua existência em 1367, confirmada por um documento de emprazamento feito pela Confraria dos Clérigos Ricos a Afonso Esteves e sua mulher de umas casas, “à Pedreira, a par do Hospital do Santo Sp’rito”.[3]
Está referido por volta de 1551: “A igreja do santo Espírito da pedreira está na freguesia de são Gião e são Nicolau. (...) foi fundada antigamente por dom Adão e dona Sancha (...) Há mais dez merceeiras, que têm seu aposento dentro na casa; tem cada uma cada mês cem reis, e todas as esmolas que vêm à casa, que valerão por ano cento e sessenta e cinco cruzados.[4]
Em 1552 é o hospital descrito como: “Um forasteiro fidalgo, por nome Dom Adão e sua mulher Dona Sancha edificou nesta cidade a casa do Espírito Santo, que está na rua dos Fornos, onde se chama a Pedreira, a qual casa é das mais antigas desta avocação. E acabada, lhe deixou toda a sua fazenda, e deixou ordenado que nela houvesse onze merceeiras e um homem que servisse de tesoureiro, ao qual mandou dar quatro alqueires de trigo e cem rs em dinheiro para conduto, cada mês (...). Em qual casa dizem cada dia dez missas, e está hoje em dia muito bem adornada e perfeita, porque os mercadores desta Cidade, os mais principais, se fizeram confrades da casa, e eles a têm muito bem concertada.”[5] Cerca de 1503, era este hospital incorporado no Hospital Real de Todos-os-Santos,.[6]
O espaço desta casa era delimitado pela Rua dos Fornos e Rua do Canal da Flandres a nascente, Rua do Espírito Santo da Pedreira a poente e Travessa do Espírito Santo a sul. Sabe-se que D. Manuel a enriqueceu e reformou, aumentando ainda os privilégios da Confraria dos Mercadores. No século XVIII alí moravam os Oratorianos e no século XIX foi vendida a Manuel José de Oliveira, 1º Barão de Barcelinhos. Estabeleceram-se mais tarde no local os Grandes Armazéns do Chiado, vitimados pelo devastador incêndio de 1988.[7] Reconstruído cerca de dez anos depois, o edifício que ocupa o local é hoje denominado Centro Comercial do Chiado.

- Hospital e Mercearia de Sancha Dias:
No seu trabalho, Fernando da Silva Correia descreve com esta designação um outro hospital e mercearia, contíguos, localizados na freguesia dos Mártires, junto à Casa do Espírito Santo, fundados por Sancha Dias, mulher do inglês Adam. Refere este autor que a  mercearia tinha 11 camas.[8]
É nosso parecer que este Hospital de Sancha Dias seria o mesmo que o Hospital do Espírito Santo da Pedreira, ao qual João Brandão dá o nome de Capela de Dom Adão. Dadas as semelhanças nas descrições dos três autores, poderemos presumir que durante os séculos de existência desta instituição, ela fosse conhecida por várias denominações, tanto eclesiásticas como populares.


[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 12
[2] Gustavo de Matos Sequeira, O Carmo e a Trindade, subsídios para a história de Lisboa, vol. 1, Câmara Municipal de Lisboa, 1939, p. 18
[3] Gustavo de Matos Sequeira, O Carmo e a Trindade, subsídios para a história de Lisboa, vol. 1, Câmara Municipal de Lisboa, 1939, p. 60
[4] Cristóvão Rodrigues de Oliveira, Lisboa em 1551 - Sumário (em que brevemente se contêm algumas coisas assim eclesiásticas como seculares que há na cidade de Lisboa), Livros Horizonte, 1987, p. 51
[5] João Brandão (de Buarcos), Grandeza e abastança de Lisboa em 1552, Livros Horizonte, 1990, p. 135
[6] Mário Carmona, O Hospital Real de Todos-os-Santos da Cidade de Lisboa, 1954, p. 154
[7] João Brandão (de Buarcos), Grandeza e abastança de Lisboa em 1552, Livros Horizonte, 1990, Nota Explicativa, p. 232
[8] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 12

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