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quinta-feira, 17 de maio de 2012

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital da Santíssima Trindade e Albergaria da Trindade


Após a vitória na conquista de Alcácer do Sal com a ajuda dos trinitários franceses, entendeu D. Afonso II premiar os trinos, em 1217, com a ermida de Santa Catarina e terrenos circundantes no arrabalde de Lisboa, para que aí instituíssem um convento. Em Fevereiro de 1218 chega a Lisboa um grupo de frades da Ordem dos Trinos da Redenção dos Cativos, provenientes de Santarém, onde tinham principiado um albergue e um hospital. Junto à ermida se construiu então um reduzido albergue e um hospitalinho, para enfermos e peregrinos.[1] Assim se fundou o Convento da Santíssima Trindade de Lisboa em 1218, sendo prior Frei Mateus Anes.[2]. A ordem religiosa, igualmente designada por Ordem da Santíssima Trindade do Resgate dos Cativos, uma vez que se dedicava à libertação dos prisioneiros e dos escravos cristãos em posse dos muçulmanos, foi vivendo no pequeno convento até que, anos mais tarde, a Rainha Santa Isabel o resolveu ampliar a suas expensas e Frei Estevão Soeiro ordenou a construção de um novo hospital para enfermos, peregrinos e cativos remidos. No hospital foi então instituída a Confraria da Santíssima Trindade, na qual foram primeiros confrades o próprio rei D. Diniz e seu filho D. Afonso (que viria mais tarde a ser D. Afonso IV).[3] A confraria, que mais tarde viria a ser administrada pelos Cordoeiros, tinha como Compromisso a assistência aos enfermos no hospital do mosteiro.[4] O mosteiro tinha também anexa uma Albergaria.[5]
Em Janeiro de 1531, Lisboa foi sacudida por dois terramotos dos quais resultou destruição da cidade semelhante à de 1755; parece que houve estragos no mosteiro da Trindade, que se foram agravando até se iniciarem obras em 1569, com a construção de uma nova igreja; a primitiva capela de Santa Catarina foi demolida em 1564.

- Mercearia de D. Antónia Henriques: instituída na Igreja da Trindade, para 9 merceeiras.[6]


[1] Gustavo de Matos Sequeira, O Carmo e a Trindade, subsídios para a história de Lisboa, vol. 1, Câmara Municipal de Lisboa, 1939, p. 6-9
[2] Arquivo Nacional Torre do Tombo, em http://digitarq.dgarq.gov.pt
[3] Gustavo de Matos Sequeira, O Carmo e a Trindade, subsídios para a história de Lisboa, vol. 1, Câmara Municipal de Lisboa, 1939, p. 11-13
[4] Gustavo de Matos Sequeira, O Carmo e a Trindade, subsídios para a história de Lisboa, vol. 1, Câmara Municipal de Lisboa, 1939, p. 52
[5] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11
[6] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 12

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