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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital e Albergaria da Madalena



Foi este hospital fundado por Catarina Lopes, viúva de Vicente Pires Sardinha-e-meia, na freguesia da Madalena, a norte da igreja, junto das casas onde vivia, no local onde mais tarde se ergueu o prédio de João de Almada no Largo da Madalena. A Albergaria, referenciada no seu testamento em 1400, mantinha 5 pobres e só poderia ser administrada por um homem bom da freguesia; para seu mantimento, ordenou Catarina Lopes, que lhe fosse fornecido anualmente três moios de trigo, dois tonéis e meio de vinho, dois carneiros, um porco, azeite e ainda dez soldos diários a cada pobre “para conducto”; por morte de Catarina Lopes, ficou como administrador o principal herdeiro e seu criado, Gonçalo Rodrigues Camelo.
Sucedeu a seu pai como terceiro senhor da albergaria, Gonçalo Gonçalves Camelo, falecido sem descendência a 19 de Maio de 1451 e ao que parece, amigo de El-Rei D. Duarte, encontrando-se o seu nome associado ao cargo de Chanceler do rei[1]; deixou este a administração da albergaria a Afonso de Almada, morador na freguesia da Madalena e escudeiro da casa real (4º administrador); Afonso de Almada nomeou seu filho Aires de Almada (5º administrador), em 21 de Junho de 1483, para lhe suceder na administração, tendo por fim esta sido entregue a seu filho Luiz de Almada (6º administrador), lente na Universidade de Coimbra, desembargador dos Agravos e corregedor do crime.
Continuou a administração da albergaria a passar de pai para filho ao longo dos anos seguintes: Francisco Almada de Melo (7º administrador), João de Almada de Melo (8º), António Almada de Melo (9º) e João de Almada de Melo, fidalgo e capitão de cavalos, comissário da cavalaria na província da Beira e alcaide-mor de Palmela (10º). Este último teve dois filhos, António José e D. Teresa Luíza, mãe de Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro primeiro ministro de Portugal; António José de Almada e Melo herdou de seu pai a albergaria (11º administrador), tendo-a legado a seu filho João Manuel de Almada e Melo, primeiro visconde de Vila Nova de Souto de El-Rei; este João de Almada mandou deitar abaixo as casas das Pedras Negras no ano de 1749, de modo a construir um prédio no mesmo local, localizado entre a Rua da Correaria e a Rua das Pedras Negras, dando para o Largo da Madalena; durante a construção foram encontrados vários pedaços de colunas, duas bases de coluna, um capitel de ordem jónica e várias pedras de origem romana, algumas das quais foram colocadas na da parede do novo edifício que dá para a actual Travessa do Almada.[2] Este edifício, tendo resistido ao terramoto de 1755 que arrasou todo o bairro, pertenceu depois ao Marquês de Pombal; ainda existe (2014), na esquina da Rua da Madalena com a Travessa do Almada.

Edifício dos Almadas, na esquina da R. da Madalena com a Travessa do Almada

Uma das pedras de origem romana, colocada do edifício dos Almadas

Nota: João Brandão refere serem fundadores Catarina Lopez e Luis de Almada seu marido[3], o que nos parece incorrecto, pois mais de cem anos os separam. Desconheço se se trata de um erro do próprio João Brandão ou da edição consultada, a qual assenta na edição de Gomes de Brito de 1923. Pareceu-nos contudo mais fiável a cuidadosa e pormenorizada descrição de Luís Pastor de Macedo.




[1] Judite A. Gonçalves de Freitas, O Portugal Atlântico e o Portugal Mediterrâneo na itinerância régia
de meados do século XV (1433-1460), em http://bdigital.ufp.pt/bitstream/10284/378/1/Territórios do poder.pdf, pg.7

[2] Luiz de Macedo, A Rua das Pedras Negras, Lisboa, Edição da UP, 1931, p. 26-33
[3] João Brandão (de Buarcos), Grandeza e abastança de Lisboa em 1552, Livros Horizonte, 1990, p. 135

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