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quinta-feira, 28 de março de 2013

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital de Nossa Senhora das Virtudes ou da Vitória


Estava localizado ao Poço do Chão (aproximadamente na actual Rua do Ouro), destinava-se a incuráveis.[1] Não conseguimos apurar a data da sua fundação ou a duração do seu funcionamento.
Referenciado como tendo sido incorporado no Hospital de Todos-os-Santos[2], encontramo-lo ainda referido no Sumário de 1551: “ O Hospital de Nossa senhora da Vitória é antigo. Há sempre nele enfermos incuráveis, tem duas enfermarias, uma por baixo, e outra por cima, com catorze leitos. E em cada uma há um altar, onde todos os dias se diz missa de devotos. E aos domingos lha vem dizer do Hospital de Todos os Santos, donde são providos de todo o necessário, o que valerá cento e cinquenta cruzados. Há neste hospital uma confraria da invocação de Nossa senhora da Vitória. Os mordomos e confrades dela mandam nos navios peditórios e os tem pelo reino e arquetas da cidade. O que valerá quinhentos cruzados.” O mesmo autor, faz referência à sua antiga designação como Hospital de Nossa Senhora das Virtudes.[3]






Em 1552 existe uma outra referência: “No Poço do Chão, onde se chama Nossa Senhora da Vitória, tem outro hospital, onde tem oito leitos, onde tem hospitaleiro que tem cargo disso, aonde passam os enfermos desamparados que têm enfermidades incuráveis. A estes dá (o Hospital de Todos-os-Santos) todos os dias doze rs para seu sustentamento, e camas em que dormem. E no sobrado estão outros tantos leitos para mulheres, os quais provêm da mesma maneira; e tem missa os dias santos e domingos.”[4]
Desta última descrição poderemos concluir que, apesar de incorporado administrativamente no Hospital de Todos-os-Santos, a instituição continuava a funcionar com autonomia, separada fisicamente e com proventos próprios independentes da casa-mãe.


[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11
[2] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11
[3] Cristóvão Rodrigues de Oliveira, Lisboa em 1551 - Sumário (em que brevemente se contêm algumas coisas assim eclesiásticas como seculares que há na cidade de Lisboa), Livros Horizonte, 1987, p. 61-62
[4] João Brandão (de Buarcos), Grandeza e abastança de Lisboa em 1552, Livros Horizonte, 1990, p. 126-127

sábado, 16 de março de 2013

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital dos pescadores de Cataquefarás


Segundo Fernando da Silva Correia, este hospital estava localizado na Rua da Amoreira, junto ao Tronco (cadeia), freguesia de S. Nicolau, tendo sido incorporado no Hospital de Todos-os-Santos.[1] Esta localização será um pouco confusa, uma vez que nesta freguesia se conhece uma Travessa da Amoreira, enquanto a Rua Direita de Cata-que-farás se encontraria na freguesia dos Mártires; por outro lado, a cadeia do Tronco ou Cadeia da Cidade (Municipal) funcionava no local do Paço do Limoeiro ao tempo de D. Manuel, não se localizando em nenhumas das freguesias supra-citadas, mas na de S. Martinho.
          Será talvez mais correcto situar o hospital, segundo a indicação de Cristóvão Rodrigues de Oliveira, no local de Cata-que-farás, que corresponde à zona do actual Cais do Sodré. Segundo o mesmo autor, era provido pelos pescadores e ainda se encontra descrito com localização própria em 1551,[2] pelo que supomos que funcionaria nas instalações primitivas apesar de ser encontrar sob a administração do Real Hospital de Todos-os-Santos.  


[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 11
[2] Cristóvão Rodrigues de Oliveira, Lisboa em 1551 - Sumário (em que brevemente se contêm algumas coisas assim eclesiásticas como seculares que há na cidade de Lisboa), Livros Horizonte, 1987, p. 63

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital de Santa Maria dos Mártires


Hospital dos peleteiros (curtidores e vendedores de peles), localizado na Rua Nova de El-Rei (actual Rua do Comércio), freguesia dos Mártires. Foi incorporado no Hospital de Todos-os-Santos.[1]


[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 10-11

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital de D. Maria Aramenha


Hospital dos alfaiates, localizado na Rua das Portas da Cruz, na freguesia de Santo Estevão de Alfama. Foi incorporado no Hospital de Todos-os-Santos.[1]


[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 10-11

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital dos Ourives


Inicialmente eram os ourives da prata e do ouro considerados como um único mester, consignado na lei desde 1211, tendo sido determinado no século XIV que se estabelecessem na Rua da Ourivesaria. Já no reinado de D. Afonso V, um alvará de 1460 concede-lhe o privilégio de aferirem os pesos e balanças da cidade, como forma de suportarem as despesas do hospital. Foi apenas em 1514, no reinado de D. Manuel, que se ordena a separação dos ofícios do ouro e da prata, sendo os primeiros mudados para a Rua Nova d’El-rei, o que motiva a mudança de designação para Rua dos Ourives do Ouro, enquanto a permanência dos segundos no local inicial, modifica a toponímia da rua para Rua da Ourivesaria da Prata ou Rua dos Ourives da Prata.[1]
Existe alguma confusão bibliográfica acerca do Hospital dos Ourives. Enquanto alguns autores afirmam ter-se situado no Largo dos Lóios um hospital fundado em 1272, pertencente à Confraria de Santo Elói dos Ourives da Prata de Lisboa, não sendo certo que teria sido anexado ao Hospital de Todos-os-Santos,[2] outros situam-no na Rua do Arco do Rossio, incluída depois na Rua do Lagar do Sebo, freguesia de S. Nicolau e afirmam ter sido incorporado no Hospital Real.[3]


[1] Leonor Faria Calvão Borges, Directório Prático de José da Silva Gomes: leitura e edição – Dissertação de mestrado em Paleografia e Diplomática, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 1996, p. 2, em http://dited.bn.pt/30237/1229/1647.pdf
[2] Leonor Faria Calvão Borges, Directório Prático de José da Silva Gomes: leitura e edição – Dissertação de mestrado em Paleografia e Diplomática, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 1996, p. 1, em http://dited.bn.pt/30237/1229/1647.pdf
[3] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 10-11

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Gafaria de S. Lázaro


Provavelmente anterior à fundação da nacionalidade, sem que seja possível confirmação documental deste facto, já dela existe referência em 1220 (não documentada); documento certo é o testamento de Ousenda Leonardes datado de 1325, que contempla 20 soldos para os gafos de S. Lázaro[1]. Damião de Góis localiza, sem denominação própria, uma gafaria entre o campo de Santana e a Mouraria, perto de um campo de pastagem e da feira do gado.[2]
Ignora-se a responsabilidade da sua fundação. Presume-se que se situava no Poio de S. Lázaro, na encosta que subia da Mouraria para o Campo do Curral (mais tarde Campo de Santana); encontrando-se no exterior da muralha de D. Fernando, é possível que tenha recebido os gafos dos Mártires, quando esta gafaria foi abrangida por aquela terceira muralha de Lisboa.[3] A localização desta gafaria é, no entanto, algo controversa, uma vez que se confunde nos documentos com a dos Mártires, desconhecendo-se se existiram ambas ou se uma deu lugar à outra.[4]
Tinha um provedor ou vedor, eleito entre os vereadores por um período de um ano, ao qual competia guardar as chaves da arca das escrituras e a chave da arca dos ornamentos e outros objectos de valor, supervisionar as propriedades da Casa, averiguar as razões das contendas, escolher o pessoal doméstico, avaliar e fazer assentar os bens dos enfermos, constranger os doentes que se recusassem entrar na gafaria, executar sentenças e gerir esmolas; o provedor contava com a ajuda de um escrivão, que guardava a segunda chave da arca das escrituras, supervisionando também as propriedades; existia ainda um capelão que era escolhido e pago pela cidade, tendo as funções de dizer missa três vezes por semana.[5] Os rendimentos para o seu funcionamento provinham de propriedades doadas à gafaria e àquelas pertencentes aos gafos que nela faleciam, as quais revertiam para a Casa; sabe-se que possuía uma adega localizada junto à Portagem (perto da actual igreja da Conceição Velha);[6] segundo o regimento datado de 1460, cada morador de Lisboa e do seu termo deveria oferecer aos leprosos um real por ano, provindo assim ajuda para o respectivo sustento.[7]
Sabe-se que na Gafaria de S. Lázaro existia uma ermida ou igreja de S. Lázaro, um alpendre onde os gafos se reuniam com as pessoas de fora, um celeiro, a casa do provedor, casas para os doentes e casas para mancebas, exteriores à propriedade mas junto à porta (as mancebas não eram leprosas e responsabilizavam-se pelas tarefas domésticas da gafaria). As casas dos gafos, mandadas construir por D. Manuel em 1503, eram térreas, medindo 12 palmos por 15 e possuíam chaminé e alpendre. [8]

Continuou o seu funcionamento até 1551, encontrando-se referenciada no Sumário: “A Ermida de são Lázaro está na Freguesia de santa justa. Há nesta ermida três confrarias, ou seja, a de são Lázaro, a de santa Marta, e a de Nossa Senhora. Valem as esmolas delas sessenta cruzados. Nesta casa se curam e mantêm os gafos.”[9] A gafaria (?) vem ainda referida no tombo da cidade, referindo o ano de 1567 “...as quais casas foram encabeçadas pela cidade em Andre Anriquez recebedor dos orfãos de S. Lázaro...”.[10] Parece ter funcionado independente até finais do século XIX.[11]

Ignoro se a gafaria deu lugar ao denominado Hospital de São Lázaro ou se este último se trata de outra instituição fundada mais tardiamente, que se encontra referenciada como pertencente à freguesia de Santa Justa e como tendo sobrevivido ao grande terramoto.[12]



[1] Rita Luis Sampaio da Nóvoa, A Casa de São Lázaro de Lisboa – Contributos para uma história das atitudes face à Doença (sécs. XIV – XV), dissertação de mestrado em história medieval, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa, 2010, p. 76-77
[2] Damião de Góis, Descrição da Cidade de Lisboa, 2ª ed., Livros Horizonte, 2001, p. 44
[3] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 12
[4] Rita Luis Sampaio da Nóvoa, A Casa de São Lázaro de Lisboa – Contributos para uma história das atitudes face à Doença (sécs. XIV – XV), dissertação de mestrado em história medieval, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa, 2010, p. 79
[5] Rita Luis Sampaio da Nóvoa, A Casa de São Lázaro de Lisboa – Contributos para uma história das atitudes face à Doença (sécs. XIV – XV), dissertação de mestrado em história medieval, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa, 2010, p. 86
[6] Vieira da Silva, As Muralhas da Ribeira de Lisboa, 2ª ed., Vol. I, Câmara Municipal de Lisboa, 1940, p. 195
[7] Rita Luis Sampaio da Nóvoa, A Casa de São Lázaro de Lisboa – Contributos para uma história das atitudes face à Doença (sécs. XIV – XV), dissertação de mestrado em história medieval, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa, 2010, p. 91
[8] Rita Luis Sampaio da Nóvoa, A Casa de São Lázaro de Lisboa – Contributos para uma história das atitudes face à Doença (sécs. XIV – XV), dissertação de mestrado em história medieval, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa, 2010, p. 93
[9] Cristóvão Rodrigues de Oliveira, Lisboa em 1551 - Sumário (em que brevemente se contêm algumas coisas assim eclesiásticas como seculares que há na cidade de Lisboa), Livros Horizonte, 1987, p. 54
[10] Luis Lourenço, Livro Primeiro do Tombo das Propriedades foreiras à Câmara, Edição da Câmara Municipal de Lisboa, 1950, p. 292-193
[11] Rita Luis Sampaio da Nóvoa, A Casa de São Lázaro de Lisboa – Contributos para uma história das atitudes face à Doença (sécs. XIV – XV), dissertação de mestrado em história medieval, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa, 2010, p. 79
[12] Paróquias da Baixa-Chiado, Memórias de Uma Cidade Destruída, Alètheia Editores, 2005, p. 165

domingo, 10 de fevereiro de 2013

OS HOSPITAIS MEDIEVAIS DE LISBOA - Hospital de Santa Maria da Pomba ou de São João de Braga


Estava situado na Rua da Regueira, na freguesia do Salvador, ao Chafariz dos Cavalos. Foi incorporado no Hospital de Todos-os-Santos.[1]

Existe uma referência a uma aquisição de umas herdades pelo Mosteiro de S. Vicente de Fora, vendidas por um D. Paio, Comendador do Hospital de S. João de Lisboa, em 1190, por 10 morabitinos e uma herdade;[2] ignoramos se este hospital seria o mesmo que o designado por de S. João de Braga ou se trataria de uma diferente instituição.


[1] Fernando da Silva Correia, Os Velhos Hospitais da Lisboa Antiga, Revista Municipal nº 10, Câmara Municipal de Lisboa, 1941, p. 10-11
[2] Carlos Guardado da Silva, O Mosteiro de S. Vicente de Fora – a comunidade regrante e o património rural (séculos XII-XIII), Edições Colibri, 2002, p. 158